Abro as portadas ao ritual dos dias
Desperta-me a luz e a água no rosto
Levo o gosto e o aroma do café
embrulhados no sussurrar de um beijo
Mais um dia igual a outro e a outro
feito de passos apressados
Entardeço-me em cansaços
Na espuma do repetido calendário
salvam-me uns salpicos de criatividade
e mágicos pingos de ternura e amor
Há sempre um rio de anseios
que tardam em chegar à foz
São ciclos de renovação O rebentar de vida na poda dos galhos secos Achar a luz no recomeço após o varrer do tédio Reaprender a olhar na ausência do óbvio Saber trazer de novo a infância ao peito