sábado, 19 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
naquela altura..
Naquela altura
Curvada no emaranhado dos pensamentos
Destranco por minutos a porta que se fechou sobre ti
Vem-me ao sentido o cheiro intenso das tuas palavras
As que naquela altura ouvia sem saber ouvir
Aquelas que não tinham o perfume que agora adivinho
Também das que proferi e não ecoaram na tua alma
E as das mútuas mágoas que se esvaeceram como espuma
Volto a fechar-me no nevoeiro de te não saber
Porque o tempo se encarregou de nos apagar
Tão teimosas foram as vãs razões da nossa razão
Que o amor se perdeu em estúpidos labirintos emocionais
Inventámos zangas e demandas
Quisemos mimos e tivemos penas
Livra-te futuro que eu caiba nestes versos
Livra-me Deus, de ser este apagado Ser
mariam 2011/03/12
quinta-feira, 3 de março de 2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
asas
ASAS
Pássaros de fogo.Garças brancas.Negros corvos
Meus dedos voam na brancura do liso papel
Deixam caídas penas azuis e asas soltas
Pontas tímidas de pontes por atravessar
Dançam pássaros na alma dos meus olhos
mariam 2008/11/25
domingo, 13 de fevereiro de 2011
ao Mar meu
Mar meu
Por dentro da maré cheia de sonhos e apelos
Senti-te o pulsar em cada quebrar de onda
Encolho-me
Não do medo das fragas e adamastores
É de todos os mistérios deste mar que anseio
Que me encolho
Até ao bom vento poder soltar minhas velas
Até ao bom vento poder soltar minhas velas
mariam 2011/02/13
*
Sei que vou poder navegar por todos os teus mistérios
(porque em mim, algures, é onde moras)
Sei que vou poder navegar por todos os teus mistérios
(porque em mim, algures, é onde moras)
[Ao criar hoje este post, com som e imagens captadas ontem, neste mar alteroso e belo,
lembrei-me de algumas passagens do livro Milagrário Pessoal, que estou a adorar...
Tive o privilégio de assistir ao seu lançamento em Lisboa.
Deixo um obrigada especial ao seu autor, por me ter 'aturado' nesse dia...]
"... Beijei-a.
Ouviste falar na memória da água?
Não.
Segundo os homeopatas, a água retém a memória das substâncias
químicas que se mergulham nela..."
*
"... O céu brilha, azul e côncavo, sobre a minha cabeça. Há-de
estar cheio de anjos sem asas, como os que vi, numa manhã sem
outro milagre, há muitos anos, na cúpula da Capela Sistina. Sei
disso porque daqui onde estou os sinto a respirar. Penso em
todos os lugares que gostaria de visitar contigo. No que gostaria
de fazer contigo - e não farei nunca:
Ler-te alto as Ficções, de Borges.
Rir, enquanto nadássemos entre golfinhos, no mar sem mal-
dade de Fernando de Noronha..."
in, Milagrário Pessoal «Agualusa, José Eduardo»
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Gavetas
Se compararmos a nossa vida a uma cómoda
Devemos guardar e fechar na última gaveta
O passado, todo, abrindo-a apenas por breves momentos
Para o presente, usamos uma das gavetas do meio
Diariamente é aberta e fechada, arruma-se e desmancha-se
As duas gavetas de cima, reservam-se para o futuro
Uma, para as boas e más escolhas
Emoções, alegrias, traições, dilemas, dores, amores...
A outra, a última, para a velhice, onde serão arrumados
Apenas os momentos que se queiram levar para a eternidade
E que se foram buscar às outras três
*
Já a autora Michal Snunit, no seu pequeno livrinho "O Pássaro da Alma",
*
Já a autora Michal Snunit, no seu pequeno livrinho "O Pássaro da Alma",
um belíssimo conto para crianças e adultos, nos indica o caminho para se escutar
'o pássaro da alma', ele quer falar-nos dos sentimentos que estão encerrados
nas gavetas dentro de nós...
mariam 2008/07/02
mariam 2008/07/02
domingo, 6 de fevereiro de 2011
minhas águas
Minhas Águas
Fui nascente em Abril e cresci feliz correndo e brincando ladeira abaixo
Serpenteei por serras e vales com cheiro a leite de cabra e rosmaninho
Fortaleci no meu leito e em Dezembro encontrei garboso rio onde me fundi
Da confluência das águas brotaram em Fevereiro duas preciosíssimas gotas
Ribeira e ribeirinho que seguiram o seu curso paralelo às minhas margens
Continuarão crescendo o seu caudal e encontrarão outros rios maiores ou não
Dei-lhes as gavetas das escolhas e velarei o seu crescer olhando suas margens
Terão dias de sois.luas.pedras.tojo.mel.ouro.fel.colo.pele.colcheias.luz e sal
Um dia seremos foz no mesmo mar e aí depositaremos as nossas cómodas.
mariam 2009/02/05
Um beijinho de parabéns aos meus filhos.
sábado, 29 de janeiro de 2011
onde moras...
Onde moras
Tu
Moras algures em mim
Rente ao fogo aceso ou à beira da alma
Ser criativo e mareante aqui fundeaste âncora
Na colorida encruzilhada dos ansiosos capilares
Neste lugar não lugar cheio de tudo e de nada
Onde há sede, amor, sonho, dor, loucura e vontades
Inomináveis são os encontros e momentos partilhados
Terno de lembrança é o vento que se extravasa em suspiro
Será madrugada, pois longa é a noite baça da espera
Em mim, algures, é onde moras
mariam 2011/01/28
Longa e baça será a noite da eterna espera
Desatou-se o nó de âncora que parecia firme
Balança a barca do sonho, das certezas e do apego
Soltou-se o Ser criativo e mareante tangendo a minha alma
Navegará por esse ‘mar da palha’ e das (in)contornáveis razões
Seguirei seus movimentos, serei vento, nuvem ou cheiro de limoeiro
Pintarei de arco-íris o infinito e das restantes cores os pensamentos
Captarei o mundo com a lente dos sentidos e com ele farei poemas
Porque em mim moras, algures
mariam 2011/01/29
domingo, 23 de janeiro de 2011
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
desencanto
O som das desalinhavadas palavras
Desenroladas e devastadoras como lava
Fere tanto como os sentidos receios
Do cume Sol podem escorrer fios de fel
Caindo um manto de nevoeiro na frágil alma
Há minutos com tanto peso como árdua pena
mariam 2011/01/19
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