convido a ouvir

domingo, 20 de fevereiro de 2011

asas



ASAS  



Pássaros de fogo.Garças brancas.Negros corvos 

Meus dedos voam na brancura do liso papel

Deixam caídas penas azuis e asas soltas

Pontas tímidas de pontes por atravessar

Dançam pássaros na alma dos meus olhos


mariam 2008/11/25



domingo, 13 de fevereiro de 2011

ao Mar meu

Mar meu


Por dentro da maré cheia de sonhos e apelos
Senti-te o pulsar em cada quebrar de onda
Encolho-me
Não do medo das fragas e adamastores
É de todos os mistérios deste mar que anseio
Que me encolho
Até ao bom vento poder soltar minhas velas 

mariam 2011/02/13

 *
Sei que vou poder navegar por todos os teus mistérios
(porque em mim, algures, é onde moras

[Ao criar hoje este post, com som e imagens captadas ontem, neste mar alteroso e belo, 
lembrei-me de algumas passagens do livro Milagrário Pessoal, que estou a adorar...
Tive o privilégio de assistir ao seu lançamento em Lisboa. 
Deixo um obrigada especial ao seu autor, por me ter 'aturado' nesse dia...]


"... Beijei-a.
Ouviste falar na memória da água?
Não.
Segundo os homeopatas, a água retém a memória das substâncias
químicas que se mergulham nela..."
*
"... O céu brilha, azul e côncavo, sobre a minha cabeça. Há-de
estar cheio de anjos sem asas, como os que vi, numa manhã sem
outro milagre, há muitos anos, na cúpula da Capela Sistina. Sei
disso porque daqui onde estou os sinto a respirar. Penso em
todos os lugares que gostaria de visitar contigo. No que gostaria
de fazer contigo - e não farei nunca:
Ler-te alto as Ficções, de Borges.
Rir, enquanto nadássemos entre golfinhos, no mar sem mal-
dade de Fernando de Noronha..."

in, Milagrário Pessoal «Agualusa, José Eduardo»





quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Gavetas




GAVETAS

Se compararmos a nossa vida a uma cómoda

Devemos guardar e fechar na última gaveta
O passado, todo, abrindo-a apenas por breves momentos

Para o presente, usamos uma das gavetas do meio
Diariamente é aberta e fechada, arruma-se e desmancha-se

As duas gavetas de cima, reservam-se para o futuro
Uma, para as boas e más escolhas
Emoções, alegrias, traições, dilemas, dores, amores...

A outra, a última, para a velhice, onde serão arrumados
 Apenas os momentos que se queiram levar para a eternidade
E que se foram buscar às outras três
*


Já a autora Michal Snunit, no seu pequeno livrinho "O Pássaro da Alma", 
um belíssimo conto para crianças e adultos, nos indica o caminho para se escutar
'o pássaro da alma', ele quer falar-nos dos sentimentos que estão encerrados
nas gavetas dentro de nós...


mariam 2008/07/02


domingo, 6 de fevereiro de 2011

minhas águas



Minhas Águas

Fui nascente em Abril e cresci feliz correndo e brincando ladeira abaixo 
Serpenteei por serras e vales com cheiro a leite de cabra e rosmaninho
Fortaleci no meu leito e em Dezembro encontrei garboso rio onde me fundi 
Da confluência das águas brotaram em Fevereiro duas preciosíssimas gotas
Ribeira e ribeirinho que seguiram o seu curso paralelo às minhas margens
Continuarão crescendo o seu caudal e encontrarão outros rios maiores ou não 
Dei-lhes as gavetas das escolhas e velarei o seu crescer olhando suas margens
Terão dias de sois.luas.pedras.tojo.mel.ouro.fel.colo.pele.colcheias.luz e sal 
Um dia seremos foz no mesmo mar e aí depositaremos as nossas cómodas.

mariam 2009/02/05
 Um beijinho de parabéns aos meus filhos.

sábado, 29 de janeiro de 2011

onde moras...


Onde moras

Tu

Moras algures em mim
Rente ao fogo aceso ou à beira da alma
Ser criativo e mareante aqui fundeaste âncora
Na colorida encruzilhada dos ansiosos capilares
Neste lugar não lugar cheio de tudo e de nada
Onde há sede, amor, sonho, dor, loucura e vontades
Inomináveis são os encontros e momentos partilhados
Terno de lembrança é o vento que se extravasa em suspiro
Será madrugada, pois longa é a noite baça da espera
Em mim, algures, é onde moras

mariam 2011/01/28

Longa e baça será a noite da eterna espera

Desatou-se o nó de âncora que parecia firme
Balança a barca do sonho, das certezas e do apego
Soltou-se o Ser criativo e mareante tangendo a minha alma
Navegará por esse ‘mar da palha’ e das (in)contornáveis razões
Seguirei seus movimentos, serei  vento, nuvem ou cheiro de limoeiro
Pintarei de arco-íris o infinito e das restantes cores os pensamentos
Captarei o mundo com a lente dos sentidos e com ele farei poemas
Porque em mim moras, algures

mariam 2011/01/29

domingo, 23 de janeiro de 2011

sentidos



Olfato


A chuva parou…
E no matinal despertar dos sentidos
Vem da porta entreaberta o cheiro a café
E cheira a erva acabada de cortar
De tardinha sussurras-me ao ouvido
Uma frase impregnada do teu cheiro...


Já é o tempo de se colherem as frésias ?


mariam 2009/03/14 


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

desencanto



Desencanto

O som das desalinhavadas palavras
Desenroladas e devastadoras como lava 
Fere tanto como os sentidos receios   
Do cume Sol podem escorrer fios de fel
Caindo um manto de nevoeiro na frágil alma 

Há minutos com tanto peso como árdua pena 


mariam 2011/01/19


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

sentidos...



Olhar

No nosso diálogo mudo
Contorno milimetricamente
O contorno do teu olhar
Fixo-me no centro e me cativo

mariam 2009/03/26




terça-feira, 4 de janeiro de 2011

sentidos...




Paladar

Fazem eco no palato os sabores agridoces
Salivam-se êxtases quando da falta sentem
Famosos pecados para sensoriais perdições 
Sal.Nectarina.Mel.Gengibre.Canja.Ginja.Pele.
Sublimam os olhos a degustação dos sentidos
E na língua se extravasam todas as vastidões


mariam 2009/04/16





sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Votos de um excelente 2011 !

Cristina Branco - Sete Pedaços de Vento (making of)


Ano Novo
Que os dias de Ano Novo cheguem de mansinho
Com a poesia e o perfume das rosas-de-inverno
Que os desejos da sorte e da saúde 
Casem com a paz da alma 
Que os sete sentidos 
Se animem
.

mariam 2010/12/31